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Publicado em 25/08/2017 às 11:33:08

CÂNCER: OS AGRAVOS PSICOLÓGICOS QUE UMA DOENÇA FISIOLÓGICA PODE CAUSAR

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RESUMO:

 

Sabida a necessidade da participação ativa de um psicólogo, no amparo dos pacientes e de seus familiares, o presente estudo surge o tema - Câncer: os agravos psicológicos que uma doença fisiológica pode causar.Utilizando como método de pesquisa o levantamento bibliográfico, com característica descritiva, de caráter quantitativo. Sendo assim este é um estudo de reflexão teórica que busca identificar dados atuais de pesquisas sobre o tema. As pesquisas bibliográficas utilizam de contribuições já publicadas sobre o tema estudado e investigado. Nesta pesquisa foram utilizados artigos, livros e dissertações como fonte. A amostra que compôs o banco de dados desta pesquisa incidiu em cinco (cinco) artigos na base de dados Scielo, os quais abordam sobre o tema, problema e objetivos deste estudo. Os dados foram apresentados em tabelas e discutidos com o referencial teórico.Com a tabulação dos dados, bem como, com a análise dos mesmos pode-se perceber que o câncer possui seus agravos psicológicos, tendo em vista que todo sujeito dotado de personalidade possui estrutura mente-corpo, diversos estudiosos vão dizer que o estado emocional do sujeito pode não só agravar a doença, como também facilitar o desenvolvimento do mesmo. Isso acontece quando o sujeito teve um mau desenvolvimento de sua subjetividade, suporte familiar deficitário e passou por situações difíceis ao longo da vida e não houve elaboração destes problemas. Com a não elaboração destes problemas e a internalização dos mesmos, o corpo passa a falar (somatização).

 

 

Palavras chave:Câncer. Psicossomática.  Depressão.

 

 

1.                 INTRODUCAO

 

O câncer é um conjunto de sinais e sintomas, com mais de cem doenças diferentes, no qual vão se espalhando por todo o corpo através das células (PINHEIRO, 2009; STRAUB, 2005). Essas células que sofrem algum tipo de lesão apresentam alguns fatores contribuintes, sendo eles, o cigarro, a radiação e alguns produtos químicos (STRAUB, 2005).

Segundo Costa e Leite (2008) quando a pessoa recebe o diagnóstico de câncer, que é uma doença que traz arraigada sofrimentos e preocupações, criam-se, então, situações que desestruturam não só o paciente, mas sim a todos que estão a sua volta, de modo que, o câncer muitas vezes surpreende o paciente e a sua família, o que gera mudanças de comportamento.Ferraz e Volich (2004) ressaltam que desde a antiguidade remota, oriental e ocidental, muitos escritos tentam estabelecer as causas do câncer e, nessa busca, muitos autores observaram que há uma relação entre estados emocionais e predisposição para doenças orgânicas.

O processo desde a descoberta do câncer, durante o tratamento e após a doença acrescenta mudanças e transtornos em toda a estrutura psicológica e fisiológica na vida do indivíduo.O início do tratamento de uma pessoa que sofre de câncer é naturalmente agressivo tanto no aspecto físico quanto psíquico.

Quando a doença progride de forma negativa apresentando recaídas em seu quadro de melhorias são necessárias intervenções paliativas correspondentes à forma como estes resultados são encarados pelo paciente e por pessoas próximas a ele. São nos tipos de câncer em que o paciente apresenta grandes riscos e estimativa de pouco tempo de vida que o psicólogo intervém proporcionando por meio de terapias uma qualidade maior e melhor de vida.

Sabida a necessidade da participação ativa de um psicólogo, no amparo dos pacientes e de seus familiares, surge o tema - Câncer: os agravos psicológicos que uma doença fisiológica pode causar. Igualmente, faz-se necessário discutir o seguinte problema: Existem fatores da ordem do emocional que interfiram ou auxiliam no desenvolvimento/agravo do câncer?

Diante desta indagação, a presente pesquisa apresenta como hipótese: Que os agravos psicológicos enfrentados por pacientes de câncer geram tristeza profunda e muitas vezes podem vir a evoluir para quadros depressivos.

A presente pesquisa se justifica socialmente, pois, possui grande relevância para sociedade, uma vez que o auxílio do psicólogo para pacientes de câncer e seus familiares é de grande importância, pois proporciona o amparo emocional que será necessário para o enfrentamento da doença.

Se justifica cientificamente pela necessidade de aprofundar o conhecimento a respeito do tema, o que proporcionara aos demais pesquisadores e estudantes embasamento para realizar mais estudos nesta área.

Como justificativa pessoal, tendo convivido com um paciente oncológico, foi observado o quanto foi difícil receber o diagnóstico e a batalha árdua do mesmo a continuar o tratamento, o quão importante foi a intervenção do psicólogo durante todo o processo da doença.

Nesse sentido, para alcançar a meta traçada esta pesquisa terá como o objetivo geral: esclarecer se o câncer afeta psicologicamente o paciente e como objetivos específicos: investigar o desenvolvimento da manifestação de diferentes tipos de câncer, bem como, trazer concepções da doença; evidenciar os agravos que a doença gera no paciente e enfatizar o efeito psicossomático que o câncer traz para o sujeito.

De forma a responder o problema, bem como, os objetivos propostos neste estudo, faz-se necessário estabelecer uma metodologia que subsidiará todo o andamento do estudo, para que ao final, possa se chegar ao resultado, objetivando-se responder o que se indagou inicialmente. Para tanto, faz-se necessário estabelecer que o presente artigo é considerado um levantamentode caráter quantitativo.

O presente estudo consiste em uma pesquisa de levantamento bibliográfico, com característica descritiva. Sendo assim este é um estudo de reflexão teórica que busca identificar dados atuais de pesquisas sobre o tema. As pesquisas bibliográficas utilizam de contribuições já publicadas sobre o tema estudado e investigado. Segundo Gil (1999), a pesquisa bibliográfica é toda aquela desenvolvida mediante os materiais já elaborados, principalmente, os livros e artigos científicos que falam sobre o assunto estudado, por exemplo, jornais, pesquisas, monografias, dissertações, teses, livros, entre outros.

Nesta pesquisa serão utilizados artigos, livros e dissertações como fonte. Ainda de acordo com Gil (1999), as pesquisas com características descritivas possuem como finalidade principal a descrição de determinada população ou fenômeno, no caso deste trabalho os fenômenos descritos são o câncer, psicossomática e depressão.

A amostra que compôs o banco de dados desta pesquisa incidiu em 5 (cinco) artigos na base de dados Scielo, os quais abordam sobre o tema, problema e objetivos deste estudo. Tais artigos foram escolhidos a partir dos critérios de inclusão e exclusão.

Adotou-se como critérios de inclusão artigos de revistas científicas na área de saúde mental indexadas na base de dados Scielo, publicados no período de 2000 a 2016, em português e que abordem especificamente a relação entre depressão e câncer ou psicossomática e câncer. Os critérios de exclusão abarcaram artigos não científicos, de outra base de dados que não o Scielo, fora do período especificado, em outro idioma e que abordassem outras questões relacionadas ao câncer, psicossomática e depressão.

Os artigos foram buscados na base de dados Scielo, no período de outubro e novembro de 2016, conforme os critérios de inclusão, a partir das seguintes palavras-chave: câncer, psicossomática e depressão. Para a primeira palavra-chave foram encontrados 4 artigos, 101 para a segunda. Os resumos dos artigos identificados foram lidos para verificar se os mesmos abordavam a relação entre os transtornos em questão (depressivo e bipolar) e o suicídio. Apenas os artigos que abordavam essa relação foram inseridos no banco de dados.

Os artigos incluídos no banco de dados pelos critérios de inclusão foram minuciosamente lidos a fim de responder ao problema e objetivos da pesquisa, assim como verificar a hipótese. Foram feitos fichamentos dos mesmos, os quais foram analisados de acordo com o roteiro de estudo quanto aos seguintes tópicos: ano; autoria; revista indexada; objetivos dos artigos; o que dizem sobre a relação entre câncer e psicossomática ou câncer e depressão. Artigos com temáticas semelhantes foram agrupados e comparados. Os dados foram apresentados em tabelas e discutidos com o referencial teórico.

 

2. PSICOSSOMÁTICA: ORIGEM E CONCEITOS

 

A palavra psicossomática deriva dos termos gregos psique e soma que significam mente e corpo, respectivamente."Psicossomático. Que se refere aos problemas físicos de origem nervosa, psíquica." (BUENO, 2001).

Winter (1997) relembra a ideia de que o homem utiliza a cada dia mais recursos técnicos e pesquisas para alcançar e entender as agressões ao corpo humano, consequentemente diminuindo o sofrimento e a taxa de morte dele mesmo.

Freud (1996) como um dos maiores estudiosos da mente humana e por toda sua experiência com casos clínicos define que "nada é meramente psíquico ou meramente somático". Freud ainda disse que o individuo é uma unidade psíquica, social e orgânica, com isso ele explica que as doenças físicas não tem sua origem apenas das disfunções orgânicas, mas também dos fatores sociais e da vida psíquica, por meio dos afetos e relações.    

É praticamente incalculável tudo que existe no planeta que possa fazer mal ao nosso organismo humano e, com o avanço dos estudos na área, quase desaparece a teoria da doença como uni causal (único agente biológico capaz de causar um processo patológico). A forma como desvendamos nosso organismo ou nos aprofundamos nos mistérios do nosso labirinto psíquico descobrimos causas, fatores e origens diversas para esses males que nos afetam, isso mostra a complexidade do ser humano no total (WINTER, 1997).

De acordo com (Filho, 2002), "o estudo das relações mente-corpo é um dos temas que vem assumindo progressiva importância no contexto da medicina no século atual, permitindo uma nova visão do fenômeno da doença".

Filho (2002) fala que desde sempre o conhecimento dessas interações caminha junto a historia da medicina e tem presença em debates e obras de antigamente até a atualidade, dos grandes pensadores que estudam e desbravam os problemas da natureza humana. O autor ainda explica que apesar do crescimento, essa visão medicinal não tem muita bagagem na nossa história, porém teve seu inicio ha muito tempo na Grécia antiga com o florescer do conhecimento da mente humana.

Winter (1997) destaca ainda importância da subjetividade de cada individuo no estudo da relação mente-corpo. O autor cita um exemplo de um livro que por mais que a leitura seja feita nas mesmas condições, duas pessoas diferentes podem ter entendimentos e percepções diferentes do mesmo livro. Isso se aplica também à somatização, como as pessoas têm tanto corpo quanto mente diferentes, origens, processos e resultados serão totalmente diversificados de pessoa pra pessoa.

Filho (2002) demonstra a ideia de que "toda doença humana é psicossomática, já que incide num ser sempre provido de soma e psique, inseparáveis, anatômica e funcionalmente." Filho ainda diz que a medicina psicossomática tem sido criticada sobre vários ângulos. Por um lado, justificam que ela segue apenas a visão de que tudo é da psique para a soma e por outro lado, que ela não analise a totalidade de fenômenos que a pessoa esta exposta.

 

2.1 A Somatização

 

De acordo com McDougall (1996) como citado em Bandeira e Barbieri(2007), a ideia de que todos nós temos tendência à somatização quando circunstâncias externas ou internas ultrapassam os nossos "modos psicológicos de resistências habituais". Uma forte emoção em psicossomática pode ir além da capacidade de adaptação do sujeito e isso pode causar uma desorganização dos aparelhos mentais e somáticos.

Para Bergeret (1998) citado por Bandeira e Barbieri (2007), as psicossomatizações podem ocorrer com qualquer individuo que possua uma estrutura de personalidade, mas o risco pode ser maior naquelas pessoas que possuem uma estrutura mental mais frágil. Normalmente a resposta para as somatizações são porque o individuo não consegue encontrar uma solução para um fato negativo marcante para a pessoa, então desenvolvem uma doença que inconscientemente justifica o impasse.

Entre a multiplicidade de fatores (psíquicos e fisiológicos) envolvidos na gênese do fenômeno psicossomático, as situações de perda, antecedendo a enfermidade, são enfatizadas na literatura (FILHO, 2009). A vulnerabilidade do ego à frustração (causada pela perda) pode ser condição para a predisposição psíquica ao adoecer.

Volich (2000) explica que condições psicológicas como o estresse ou a depressão podem ser causas dessa modificação no processo de identificação da célula diferente. Após esse processo, além de não eliminar a célula estranha, o organismo passa a atender as necessidades metabólicas do tumor. O estresse e a depressão geram a diminuição de citocinas, células T e células NK, afetando a vigilância imunológica contra tumores.

Ressaltando a depressão, Volich (2000) explica sobre a fragilidade no estado emocional da pessoa causados pela doença, o que tende a rejeitar ajuda fisiológica e psicológica, além de prejudicar todos os fatores familiares e sociais da vida do individuo, por isso o apoio de pessoas próximas é totalmente indispensável. O sofrimento causado pela perca da autoestima junto ao prejuízo causado pela enfermidade deixa muitos pacientes a estados vegetativos, onde em alguns casos só aumenta a taxa de morte pelo câncer. Porém isso não se aplica a todos os casos, existem casos onde a descoberta do câncer não consegue desorganizar o estado psicológico do indivíduo, não criando somatização alguma.

 

3.   O Câncer

 

Segundo o Instituto Nacional do Câncer as causas de câncer são variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo, estando ambas inter-relacionadas. As causas externas relacionam-se ao meio ambiente e aos hábitos ou costumes próprios de um ambiente social e cultural. As causas internas são, na maioria das vezes, geneticamente pré-determinadas, estão ligadas à capacidade do organismo de se defender das agressões externas. Esses fatores causais podem interagir de várias formas, aumentando a probabilidade de transformações malignas nas células normais. De todos os casos, 80% a 90% dos cânceres estão associados a fatores ambientais. Alguns deles são bem conhecidos: o cigarro pode causar câncer de pulmão, a exposição excessiva ao sol pode causar câncer de pele, e alguns vírus podem causar leucemia. Outros estão em estudo, como alguns componentes dos alimentos que ingerimos, e muitos são ainda completamente desconhecidos.

As causas do câncer possuem grandes variações. Já foram registrado pelos especialistas mais de dez tipos diferentes de câncer, podendo esses, ter suas manifestações por motivos diferentes, alguns podem ser de forma externas ou interna ao organismo ou estando inter-relacionadas (INCA - Instituto Nacional do Câncer, 2012).

 Câncer é definido como o crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores malignos que podem espalhar-se para outras regiões do corpo (INCA - Instituto Nacional do Câncer, 2012).

 

Algumas formas de tratamentos para o câncer, como radioterapia que usa radiação para destruir tumores malignos, quimioterapia, onde são usados medicamentos e outros tipos de formas químicas para atrapalhar o progresso e combater o câncer e transplante de medula óssea, que é a troca de células ruins por meio de transplantes por células boas (INCA - Instituto Nacional do Câncer, 2012).

De acordo com Amorim e Siqueira (2014), células anormais surgem inúmeras vezes ao longo da vida, logo são identificadas pelo sistema imunológico, responsável por eliminá-las. Porém, o que ocorre no desenvolvimento do câncer é uma alteração no reconhecimento dessas células anormais, o que não permite sua eliminação e torna o organismo propenso a uma multiplicação descontrolada e patológica das mesmas.

Apesar do desenvolvimento da medicina e outras áreas da saúde envolvidas com os pacientes afetados pelo câncer, os números de mortes no Brasil tem um crescimento registrado a cada ano. De acordo com o INCA (2011) são expostos gráficos de pesquisas que mostram a porcentagem da taxa de mortalidade do câncer de 1979 até a mais atual 2011, onde em 1979 era de 7.9% e 2011 já cresceu para 15.1%, ou seja, quase 50% de crescimento em 32 anos.

Recentemente foi divulgado como os mais populares tipos, o câncer de mama, pele, pulmão, colo de útero, de acordo com o INCA (2011), não necessariamente nesta ordem, mas esses são os que tiveram mais registros de morte no Brasil.

Dos fatores fisiológicos que não podem ser modificados Amorim e Siqueira (2014) trazem a idade como o aspecto mais relacionado, devido ao acréscimo simultâneo da incidência de câncer com o envelhecimento, sendo mais comum entre mulheres em idade reprodutiva, principalmente após os quarenta anos. Outros aspectos mencionados foram a menarca precoce, menopausa tardia, idade da primeira gestação e alterações hormonais

 

3.2             Tratamento

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) "consistem na abordagem para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares e no enfrentamento de doenças que oferecem risco de vida, pela prevenção e pelo alívio do sofrimento" (BRASIL, 2012, p.70). Logo os cuidados paliativos devem ser recomendados desde o diagnóstico a todos os pacientes portadores de doenças graves, progressivas e incuráveis, tendo em vista os objetivos mencionados por Brasil 2012:

·        Combater o sofrimento por meio do alívio da dor e outros sintomas, com o intuito de melhorar a qualidade de vida do paciente e consequentemente colaborar com o seu tratamento;

·        Causar a integração entre os aspectos físicos, psicológicos e espirituais através da atuação interdisciplinar de profissionais capacitados;

·        Ampliar investigações que auxiliem na compreensão e modificação dos aspectos clínicos que geram sofrimento ao longo do tratamento, assim como evitar métodos invasivos que não contribuem com a melhora da qualidade de vida do paciente;

·        Priorizar a sobrevida útil do paciente, de preferência no ambiente familiar;

·        Apresentar suporte a família durante a doença e em caso de óbito, respeitando o processo de luto;

·        Respeitar o processo natural do ciclo da vida em caso de óbito, sem gerar a sua antecipação ou adiamento.

Amorim e Siqueira (2014) mencionam as contribuições significativas do apoio social de amigos e familiares, assim como dos grupos terapêuticos, que exercem um efeito positivo sobre o sistema imunológico e do ponto de vista psicológico colaboram para o fortalecimento da autoconfiança e capacidade de enfrentamento das situações adversas. Ao entrar em contato com outros pacientes na mesma situação o sujeito se sente fortalecido por não estar sozinho e encontra neste ambiente a possibilidade de falar sobre a doença abertamente, esclarecer dúvidas e ainda refletir sobre suas realizações pessoais para além da reabilitação, gerando um aumento da autoestima. O que se percebe é uma reabilitação física, social e psicológica dos pacientes em decorrência da participação em grupos de apoio, onde é possível minimizar as dores e desenvolver exercícios voltados para a recuperação da mobilidade dos ombros, comprometida pelo adoecimento.

 

4.                 RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

Os resultados e discussões deste estudo foram realizados a partir da análise de 5 (cinco) artigos que contribuíram na resposta da problemática levantada e nos objetivos (específicos e geral), bem como, na metodologia traçada. Todo o material analisado foi agrupado em seis categorias: ano de publicação, nome dos autores, título da publicação, objetivos do artigo.

Além disso, para subsidiar os resultados e discussões fez-se necessário trazer para a análise juntamente com os cincos artigos tabulados e analisados, os referenciais teóricos construídos através de estudiosos que pesquisam sobre a temática.

 Tabela 1: Artigos encontrados acerca do (Câncer e Psicossomática)

Tema

Objetivo geral

Objetivo específico

Justificativa

Conclusão

Avaliação psicossomática no câncer de mama: proposta de articulação entre os níveis individual e familiar ¹

Mostrar um outro modo de avaliar o adoecimento e de refletir sobre algumas questões que podem ser pensadas.

Baseia-se na psicossomática psicanalítica para avaliar o risco individual e familiar de adoecimento. 

Toma-se, especialmente, o caso do câncer de mama, pelos altos índices de

crescimento que a enfermidade vem assumindo.

 Acredita-se que a dinâmica familiar exerça influência importante sobre as condições de saúde do sujeito e sobre a recuperação de estados mórbidos.

Qualidade de vida, otimismo, enfrentamento, morbidade psicológica e estresse familiar em

pacientes com câncer colorrectal em

quimioterapia.²

Analisar a relação entre as variáveis estresse familiar,

morbidade psicológica, otimismo, enfrentamento e qualidade de vida.

Analisar o impacto da presença/ausência

de estoma, duração do diagnóstico e do tipo de tratamento (cirurgia/quimioterapia e quimioterapia), nas

variáveis psicológicas referidas, bem como conhecer os melhores preditores da qualidade de vida.

Tendo em consideração as

características da doença e os fatores sociodemográficos juntamente com a resposta emocional e cognitiva à

doença são fatores que influenciam o enfrentamento que é um preditor da qualidade de vida.

A relação positiva existente entre o otimismo e enfrentamento ativo e qualidade de vida, bem como a relação negativa entre depressão e qualidade de vida

sugere que intervenções focadas no otimismo e na morbidade poderão contribuir para qualidade de vida em pacientes com câncer.

Espiritualidade, Depressão e Qualidade de Vida

no Enfrentamento do Câncer: Estudo

Exploratório.³

Investigarinterpelações

entre bem-estar

espiritual, depressão e qualidade de

vida durante o enfrentamento do câncer por pacientes da Casa de Apoio aos Pacientes com Câncer.

Averiguar quinze

pacientes diagnosticados com câncer, independentemente do tipo de neoplasia, foram sorteados e participaram da

pesquisa mediante o consentimento livre e esclarecido.

As correlações apontam para

uma busca significativa do paciente oncológico por espiritualidade e melhora em sua qualidade de vida.

Nesse estudo, verificouse,

então, que a espiritualidade, a depressão e a qualidade de vida do paciente

oncológico estão interrelacionadas

e influenciam sua rotina e dinâmica familiar de forma efetiva, contribuindo

para a aquisição de novos repertórios de enfrentamento do câncer.

 

Psicossomática um estudo histórico e

Epistemológico

Fazer um levantamento de quais doenças que se encontram sob esta denominação e qual o fator etiológico

predominante se biológico ou psíquico.

Analisar a alexitimia em sua relação com a psicossomática.

Sugerir ainda o termo somatopsicose como o mais indicado para referenciar as doenças designadas

psicossomáticas.

Tendo em consideração o termo somatopsicose como o mais indicado para referenciar as doenças designadas

psicossomáticas

Evidenciam que para além da dificuldade em

discriminar sentimentos e expressalos

aos outros o que realmente ocorre com as mulheres portadoras de

câncer de mama é a existência de um pensamento muito próximo do pensamento psicótico.

Psicooncologia:

historia,

caracteristicas e desafios.

Oferecer uma visão da Psicooncologia,

através de um

resumo da história, do campo de ação e dos problemas específicos da

área.

Analisar as características específicas da

Psico oncologia

brasileiros, bem como a sua forma de atuação levaram

a uma definição baseada na nossa cultura e realidade.

Toma-se, especialmente. levara ao

desenvolvimento atual deste campo em nosso meio.

É essencial compreender e dar suporte a essas transformações, bem como ouvir e aprender

com o paciente, tendo sempre em mente que estamos cuidando de um ser humano e não apenas da

enfermidade que ele traz

Fonte: Dados coletados pela pesquisadora nos meses de outubro e novembro de 2016.

 

Tabela 2 Descrição de autores, títulos, profissão e ano de publicação dos artigos consultados

Tema

Autores

Profissões de autores

Ano da publicação

Avaliação psicossomática no câncer de mama: proposta de articulação entre os níveis individual e familiar

Maria Stella Tavares Filgueiras; Aline Vilhena Lisboa; Raphael Modesto de Macedo; Flávia Gomes de Paiva; Tânia Mara Silva Benfica; Vanessa Azevedo Vasques

Estudante de psicologia

2007

 

 

Qualidade de vida, otimismo, enfrentamento, morbidade psicológica e estresse familiar empacientes com câncer colorrectal em

Ana Sofia Cordeiro Botelho, Maria da Graça Pereira

Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde e doutora em Psicologia clinica.

2015

Espiritualidade, depressão e qualidade de vida

no enfrentamento do câncer: estudo exploratório

Sirlene Lopes de Miranda; Maria dos Anjos Lara e Lanna;

Wanderley Chieppe Felippe

Mestre e doutorado em psicologia

2015

Psicossomática um estudo histórico e

Epistemológico

Ednéia Albino Nunes

Psicóloga clinica especializada em psicanalise

2010

Psicooncologia:

historia,

características e desafios

Maria Margarida Carvalho

Medica especialista em oncologia

2012

Fonte:

 

Segundo o autor Filgueiraset al.(2007) do artigo 1 como nota se nas tabelas acima, ultimamente tem havido um enorme interesse pela relação entre funcionamento mental, imunidade e condição da doença. Tamanho interesse se expressa, na maioria das vezes, pela associação estabelecida entre circunstâncias de vida, estados afetivos e traços de personalidade, de um lado, e enfermidades como o câncer.

O mesmo autor ainda salienta que o fato de que o mau desempenho da função materna nos primórdios da vida pode comprometer a saúde do indivíduo, visto que ela constitui o suporte da constituição da subjetividade e das relações do sujeitocom os outros. Apresentou, também, a importância do grupo familiar como continente das angústias atuais e daquelas mais primitivas, reatualizadas, muitas vezes, pelos embates que ocorrem ao longo da vida, como no caso de um diagnóstico de uma doença grave, como o câncer de mama (FILGUEIRAS, T. et al.,2007).

Desta feita, pode-se perceber que o suporte familiar é de extrema importância para a constituição do sujeito, bem como, o suporte familiar contribui para o o tratamento de doenças graves, como o câncer. Contudo, percebe-se, com o que foi exposto no estudo que a família tendo um mau desempenho, dando ênfase na função materna pode ser facilitador de doenças e angustias.

Os autores Costa e Leite (2008) enfatizam que quando a pessoa recebe o diagnóstico de câncer, que é uma doença que traz arraigada sofrimentos e preocupações, criam-se, então, situações que desestruturam não só o paciente, mas sim a todos que estão a sua volta, de modo que, o câncer muitas vezes surpreende o paciente e a sua família, o que gera mudanças de comportamento.Ferraz e Volich (2004) ressaltam que desde a antiguidade remota, oriental e ocidental, muitos escritos tentam estabelecer as causas do câncer e, nessa busca, muitos autores observaram que há uma relação entre estados emocionais e predisposição para doenças orgânicas.

Desta forma, pode-se perceber que desde os primórdios se discute sobre a relação de doenças e o estado emocional do sujeito. A esse respeito, Freud (1996) expressa bem essa ideia quando salienta que "nada é meramente psíquico ou meramente somático". Freud ainda disse que o individuo é uma unidade psíquica, social e orgânica, com isso ele explica que as doenças físicas não tem sua origem apenas das disfunções orgânicas, mas também dos fatores sociais e da vida psíquica, por meio dos afetos e relações.    

É praticamente incalculável tudo que existe no planeta que possa fazer mal ao nosso organismo humano e, com o avanço dos estudos na área, quase desaparece a teoria da doença como uni causal (único agente biológico capaz de causar um processo patológico). A forma como desvendamos nosso organismo ou nos aprofundamos nos mistérios do nosso labirinto psíquico descobrimos causas, fatores e origens diversas para esses males que nos afetam, isso mostra a complexidade do ser humano no total (WINTER, 1997).

Desta feita, pode-se perceber que realmente essa relação mente-corpo é uma realidade, trazendo assim, o termo psicossomático.

Como explicita Bueno, a palavra psicossomática deriva dos termos gregos psique e soma que significam mente e corpo, respectivamente. "Psicossomático. Que se refere aos problemas físicos de origem nervosa, psíquica (BUENO, 2001)".

A esse respeito Winter (1997) relembra a ideia de que o homem utiliza a cada dia mais recursos técnicos e pesquisas para alcançar e entender as agressões ao corpo humano, consequentemente diminuindo o sofrimento e a taxa de morte dele mesmo.

Para Bergeret (1998) citado por Bandeira e Barbieri (2007), as psicossomatizações podem ocorrer com qualquer individuo que possua uma estrutura de personalidade, mas o risco pode ser maior naquelas pessoas que possuem uma estrutura mental mais frágil. Normalmente a resposta para as somatizações são porque o individuo não consegue encontrar uma solução para um fato negativo marcante para a pessoa, então desenvolvem uma doença que inconscientemente justifica o impasse.

Ou seja, a partir do exposto acima pode-se entender que todos os indivíduos dotado de uma personalidade pode somatizar os acontecimentos não elaborados de sua vida, desenvolvendo assim doenças físicas.

Entre a multiplicidade de fatores (psíquicos e fisiológicos) envolvidos na gênese do fenômeno psicossomático, as situações de perda, antecedendo a enfermidade, são enfatizadas na literatura (FILHO, 2009). A vulnerabilidade do ego à frustração (causada pela perda) pode ser condição para a predisposição psíquica ao adoecer.

De acordo com (Filho, 2002), "o estudo das relações mente-corpo é um dos temas que vem assumindo progressiva importância no contexto da medicina no século atual, permitindo uma nova visão do fenômeno da doença".

Sobrenome Filho(2002) fala que desde sempre o conhecimento dessas interações caminha junto a historia da medicina e tem presença em debates e obras de antigamente até a atualidade, dos grandes pensadores que estudam e desbravam os problemas da natureza humana. O autor ainda explica que apesar do crescimento, essa visão medicinal não tem muita bagagem na nossa história, porém teve seu inicio ha muito tempo na Grécia antiga com o florescer do conhecimento da mente humana.

No que se refere ao objetivo geral deste artigo, que foi por sua vez, mostrar um outro modo de avaliar o adoecimento e de refletir sobre algumas questões que podem ser pensadas, o que por sua vez vem acrescentar ao presente projeto, tendo em vista que, ao avaliar o adoecimento refletindo sobre novas maneiras de se pensar o adoecer, isto contribui para a incógnita da problemáticauma vez que buscou investigar e avaliar por meio deste os agravos psicológicos que o câncer pode causar.

A esse respeito o Instituto Nacional do Câncer traz que as causas de câncer são variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo, estando ambas inter-relacionadas. As causas externas relacionam-se ao meio ambiente e aos hábitos ou costumes próprios de um ambiente social e cultural. As causas internas são, na maioria das vezes, geneticamente pré-determinadas, estão ligadas à capacidade do organismo de se defender das agressões externas. Esses fatores causais podem interagir de várias formas, aumentando a probabilidade de transformações malignas nas células normais. De todos os casos, 80% a 90% dos cânceres estão associados a fatores ambientais. Alguns deles são bem conhecidos: o cigarro pode causar câncer de pulmão, a exposição excessiva ao sol pode causar câncer de pele, e alguns vírus podem causar leucemia. Outros estão em estudo, como alguns componentes dos alimentos que ingerimos, e muitos são ainda completamente desconhecidos.

As causas do câncer possuem grandes variações. Já foram registrado pelos especialistas mais de dez tipos diferentes de câncer, podendo esses, ter suas manifestações por motivos diferentes, alguns podem ser de forma externas ou interna ao organismo ou estando inter-relacionadas (INCA - Instituto Nacional do Câncer, 2012).

 

Câncer é definido como o crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores malignos que podem espalhar-se para outras regiões do corpo (INCA - INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, 2012).

 

Amorim e Siqueira (2014) mencionam as contribuições significativas do apoio social de amigos e familiares, assim como dos grupos terapêuticos, que exercem um efeito positivo sobre o sistema imunológico e do ponto de vista psicológico colaboram para o fortalecimento da autoconfiança e capacidade de enfrentamento das situações adversas. Ao entrar em contato com outros pacientes na mesma situação o sujeito se sente fortalecido por não estar sozinho e encontra neste ambiente a possibilidade de falar sobre a doença abertamente, esclarecer dúvidas e ainda refletir sobre suas realizações pessoais para além da reabilitação, gerando um aumento da autoestima. O que se percebe é uma reabilitação física, social e psicológica dos pacientes em decorrência da participação em grupos de apoio, onde é possível minimizar as dores e desenvolver exercícios voltados para a recuperação da mobilidade dos ombros, comprometida pelo adoecimento.

Já de acordo com os autores Botelho e Pereira (2015) do artigo 2 é fácil perceber que o intuito do artigo de muito tem a ver com a hipótese deste projeto que por sua vez é respectivamente que os agravos psicológicos enfrentados por pacientes de câncer geram tristeza profunda e muitas vezes podem vir a evoluir para quadros depressivos.

Nestes termos considera-se que este artigo enquadra se perfeitamente nos critérios de inclusão para analise de dados que contribuem para apesquisa, tendo em vista que até o presente momento os objetivos dos artigos já expostos se assemelham aos propostos pelo estudo, tendo por dedutiva que nos últimos anos muitos autores pesquisadores, enfim, profissionais de várias áreas aprofundam estudos a cerca deste tema que ainda é o tanto complexo.

Baseado no artigo 3 cujos os autores respectivamente são: Miranda; Lana; Felippe (2015) fora analisado que segundo a conclusão do mesmo:

 

Toda a população estudada apresentou bem-estar espiritual e religioso moderados, o que sugere que o câncer favorece a busca pela espiritualidade e religiosidade como mecanismos de enfrentamento do sofrimento, como fonte de esperança de cura e como ressignificação do sentido da vida e da morte. Combinadas com informações qualitativas, as correlações apontam para uma busca significativa do paciente oncológico pela espiritualidade e pela melhora em sua qualidade de vida. Escores altos de depressão aparecem associados a um apego maior à espiritualidade; escores baixos para o domínio físico da qualidade de vida estão correlacionados com maior busca por bem-estar espiritual; e, quanto maior o bem-estar espiritual, religioso e/ou existencial, maior a qualidade geral de vida(MIRANDA; LANA; FELIPPE, 2015, p. 881).

 

Percebeu-se, neste estudo, que o apoio do cônjuge, dos demais familiares, amigos e pessoas religiosas constituem uma rede social de suporte ao paciente oncológico e que os vínculos sociais e afetivos parecem ajudar para o enfrentamento do adoecimento. O afastamento dos familiares e amigos relatado pelos pacientes e a carência de acompanhamento efetivo dos familiares apontam para a necessidade de um trabalho informativo com os pacientes e suas respectivas famílias, bem como, para a necessidade de uma assistência espiritual ao paciente com câncer. Nesse contexto, vale enfatizar também que a atuação do psicólogo torna-se importante para o acompanhamento terapêutico do paciente, bem como, seus familiares e cuidadores.

Aprofundou em análise de discussões e resultados que de acordo com o que fora mencionado por estes autores, adoecer é sempre de grande desgaste emocional e físico a ponto que se observa que a saúde psíquica esta inteiramente correlacionada ao estado de saúde física em que o paciente se encontra. Além disso, foi exposto que a espiritualidade

Apartir dos dados apontados pelo presente projeto correlaciona-se parcialmente integralmente a justificativa que traz o exposto no artigo 4 (quatro), partindo do pressuposto de que este tema abrange diversos debates na área da psicologia quando a vertente trata- se de uma melhor qualidade de vida para o paciente. O artigo "Psicossomática um estudo histórico eEpistemológico" trabalha justamente com algumas concepções e formas de se pensar a psicossomática.

Mediantea avaliação dos autores Carvalho(2002) envolvidos no artigo 5 (cinco), é perceptível o amplo quadro de profissionais diversificados em investigações que envolvem o ser humano. De acordo com o mesmo autor, ainda existe um desafio do trabalho em uma equipe multidisciplinar. O trabalho do psicólogo diversas vezes não é reconhecido pelos médicos, bemcomo, pode contrariar orientações dadas por estes profissionais, quando aos aspectos psicológicos dos casos em atendimento. Em outros momentos, são os enfermeiros que se sentem invadidos e até mesmo criticados no seu trabalho, pelos psicólogos. Com o surgimento da Psico-Oncologia no hospital é recente e sua função ainda é frequentemente pouco conhecida e muitas vezes distorcida.

Porém, já existem situações em Hospitais onde o psicólogo é muito valorizado, como também, muito requisitado pelos médicos e pela enfermagem em seu próprio auxílio, quando em momentos de dificuldades pessoais.Todos esses desafios continuam estimulando a equipe multidisciplinar a buscar maneiras de se trabalhar e ter compreensão neste processo complexo e de múltiplas causas das doenças cancerígenas.

Como apresenta Siegel (1997), em um artigo denominado "O que os médicos devem saber", fala da relevância de questionar ao paciente o que ele está sentindo e literalmente ouvir a resposta. E se o paciente melhorar acima do esperado, buscar aprender com a resposta. Fala também que a parte biofísica e a psíquica são uma só entidade, pois, são integradas e compartilham informações para a sua sobrevivência através dos neuropeptídeos. E que as doenças que ameaçam a vida são necessariamente transformadoras.

As palavras de Siegel (1997) viabiliza um ponto de suporte para as reflexões de todos os profissionais que trabalham com o paciente de câncer. É fundamental compreender e dar apoio a essas transformações, bem como, é necessário ouvir e aprender com o paciente, tendo sempre no pensamento que esta se cuidando de um ser humano e não apenas da enfermidade/doença que ele traz.

Por todas as etapas do processo de desenvolvimento da Psico-Oncologia, os obstáculos permaneceram presentes. E, em menor escala, ainda permanecem presentes até hoje.A corrente dentro da Medicina que pensa o câncer como uma enfermidade do corpo é ainda muito poderosa e atuante. Os seguidores do modelo biomédico repudiam qualquer tentativa de encontrar inter-relações psicossomáticas na origem e no processo de câncer. Contestam esta posição com pesquisas detalhadas sobre mutações genéticas e alterações moleculares. E, se depressão e ansiedade estiverem presentes no quadro clínico do paciente, os psiquiatras seguidores da Psiquiatria Biológica tratam com medicamentos, não valorizando o apoio psicoterápico. Para estes, a Psiquiatria Psicodinâmica não é uma verdadeira Psiquiatria médica (BETTARELLO, 1998).

Esta divisão entre diferentes posições teóricas tem dificultado uma visão unificada do homem e a integração de tratamentos. E deixa em aberto toda uma série de questões: porque uma determinada célula, em determinado momento, sofre uma mutação que a leva a uma proliferação inadequada e descontrolada? Porque em situações de exposição a elementos químicos altamente cancerígenos algumas pessoas desenvolvem um câncer e outras não? Porque nem todos os fumantes desenvolvem um câncer, sendo o cigarro comprovadamente cancerígeno? Através exatamente de que processos ocorre a interferência do sistema imunológico no câncer? O que explica o efeito placebo? E as remissões espontâneas, conhecidas por todos os médicos? Qual o papel da fé nas curas inexplicáveis? Estas e inúmeras outras perguntas apenas serão respondidas através de uma compreensão mais ampla do ser humano e de como realmente funciona o seu organismo.

Percebo que embora a medicina a psicologia, a ciências e outros estudos caminhem juntos ainda, há muito que se descobrir acercada saúde psíquica de cada indivíduo com o exposto no decorrer de todo meu projeto chego a análise de que cada indivíduo carrega pra si a individualidade e a particularidade do sentir.

Agem e sentem diferentes um do outro assim como movem se ou paralisam mediante as circunstancias e não a como medir ou ditar exatamente o nível de agravo de forma geral tendo em vista que não se pode generalizar pois a descoberta de uma doença como esta enquanto para uns causariam desmotivação para outros seriam em cargo de forca maior para ter pelo que lutar.

 

3.   CONCLUSÃO

 

Mediante o exposto ao longo da pesquisa, acredita-se que durante toda a realização da mesma, pode-se responder à problemática, bem como, os objetivos propostos, visto que, obtiveram-se resultados e considerações bastante significativos por toda a constituição do trabalho.

A mesma se tratando de um estudo de levantamento bibliográfico que tem o cunho quantitativo e utilizou-se do método descritivo para responder os objetivos da pesquisa, utilizou das escolhas feitas, enquanto características da pesquisa para subsidiar o colhimento de dados em artigos acadêmicos, usando referenciais teóricos que respondessem aos questionamentos feitos no objetivo geral, nos objetivos específicos e na problemática da pesquisa, levando em consideração os critérios de inclusão e exclusão.

Com a tabulação dos dados, bem como, com a análise dos mesmos pode-se perceber que o câncer possui seus agravos psicológicos, tendo em vista que todo sujeito dotado de personalidade possui estrutura mente-corpo, diversos estudiosos vão dizer que o estado emocional do sujeito pode não só agravar a doença, como também facilitar o desenvolvimento do mesmo. Isso acontece quando o sujeito teve um mau desenvolvimento de sua subjetividade, suporte familiar deficitário e passou por situações difíceis ao longo da vida e não houve elaboração destes problemas. Com a não elaboração destes problemas e a internalização dos mesmos, o corpo passa a falar (somatização).

Além disso, o presente estudo trouxe a importância do profissional de psicologia para auxiliar no tratamento do câncer, de acordo com o referencial teórico pesquisado e a tabulação e analise dos artigos, pode-se perceber que ainda há uma dificuldade do psicólogo e até mesmo de outros profissionais de realizarem intervenções nos pacientes com câncer, tal resistência ainda esta presença na área médica que ainda enxerga o câncer e outras doenças apenas como uma enfermidade. Porém, muitos hospitais e médicos atualmente já considera essencial a presença de um psicólogo no tratamento da doença, visto que, além dos agravos psicológicos que a própria doença traz para o paciente e também para a sua família, existe também a possibilidade do desenvolvimento da doença devido ao seu estado emocional e a somatização de acontecimentos difíceis de serem elaborados ao longo da vida.

Ao longo do trabalho pode-se perceber que embora a medicina, a psicologia, a ciências e outros estudos caminhem juntos em dados momentos, ainda, há muito o que se pesquisar, estudar e descobrir acerca da saúde psíquica de cada indivíduo com o exposto no decorrer de todo a pesquisa, chegando a análise de que cada indivíduo carrega pra si a individualidade e a particularidade do sentir.

Agem e sentem diferentes um do outro assim como movem se ou paralisam mediante as circunstancias e não a como medir ou ditar exatamente o nível de agravo de forma geral tendo em vista que não se pode generalizar, pois a descoberta de uma doença como esta enquanto para uns causariam desmotivação para outros seriam em cargo de forca maior para ter pelo que lutar.

ABSTRACT

 

Knowing the need for the active participation of a psychologist, in support of patients and their relatives, the present study raises the theme - Cancer: the psychological aggravations that a physiological illness can cause. Using as a research method the bibliographic survey, with a descriptive characteristic, of a quantitative character. Thus, this is a theoretical reflection study that seeks to identify current research data on the topic. Bibliographic research uses contributions already published on the subject studied and investigated. In this research were used articles, books and dissertations as source. The sample that composed the database of this research focused on five (5) articles in the Scielo database, which address the theme, problem and objectives of this study. The data were presented in tables and discussed with the theoretical reference. With the tabulation of the data, as well as, with the analysis of the same, one can perceive that cancer has its psychological aggravations, considering that every subject with personality has a mind-body structure, several scholars will say that the emotional state of the Can not only aggravate the disease, but also facilitate the development of the disease. This happens when the subject has had a poor development of his subjectivity, family support deficient and went through difficult situations throughout life and there was no elaboration of these problems. By not elaborating these problems and internalizing them, the body begins to speak (somatization).

 

Key words: Cancer. Psychosomatic. Depression.

 

 

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